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Senhor Job foi o mestre que ensinava fora da sala de aula

Era bom chegar no colégio e vê-lo lá no pátio. “Seu” Job nos recebia com um sorriso e com comentários sobre um acontecimento do dia. Qualquer que fosse o evento, acabava virando uma fonte de risos, às vezes gargalhadas, porque ele tinha humor refinado. E o humor é a comprovação mais forte da inteligência.

Seu Job tinha uma dignidade serena, aquela que vem da certeza de que somos todos iguais, nessa terra tão cheia de divisões de classes, e de tantas desigualdades.

O encontro da família Leitão com ele ficou inesquecível para todos nós, e foi relatado aos mais jovens como prova do amor de Deus e dos Seus propósitos. As irmãs mais velhas, Beth e Ana, estavam em visita a uma área carente da cidade, quando o encontraram em situação de extrema privação. Aquela primeira visita à casa dele foi seguida de outras da nossa família à família que ele havia constituído com a sua amada Tita. E depois, visitas de pessoas da igreja Presbiteriana. Dos pequenos auxílios do primeiro momento, para atenuar as necessidades, nasceram outros laços mais permanentes. Ele foi trabalhar na igreja e depois no antigo Colégio Caratinga, no setor de serviços gerais.

E era serviços gerais mesmo. Um problema acontecia, qualquer que ele fosse, corria-se para “seu”Job que o resolvia ou sabia quem podia resolver. Cada um tem a sua história com ele, são muitas as que compartilhamos nesses últimos dias no grupo da família Leitão, enquanto nos emocionávamos com a sua partida. O tempo mostrou que aquele encontro, numa tarde de domingo, havia sido bom para as duas famílias, uma via de duas mãos. “Um ao outro ajudou”, como diz a Bíblia. Ele era grato por essa visita e nós, felizes por esse encontro do qual nasceu uma forte amizade.

Cada um de nós tem a lembrança de algum ensinamento dele. Seu Job tinha a capacidade de dar atenção total à pessoa com a qual estivesse conversando. Era um bom e arguto ouvinte. Depois de ouvir, fazia sábias observações. Eram pérolas com as quais ele ia nos ensinando  e, aos poucos, sem que a gente notasse, ele foi se tornando um professor de cada um de nós.

Recentemente o Cláudio e o Pedro reconheceram isso e entregaram a ele um diploma. O de “Professor dos saberes da vida” em nome da FIC/Doctum. No diploma, afirma-se que ele havia transformado vidas e pessoas. Foi o que de fato ele fez. Transformou, melhorou e ensinou as pessoas que tiveram o privilégio de tê-lo como amigo, como irmão.

Seu Job nos ajudou a derrubar preconceitos, a respeitar a dignidade e a inteligência das pessoas. Nos ensinou a lealdade aos amigos e a força de superação diante das duras dificuldades da vida.  Nos ensinou que a amizade se cultiva para a vida inteira, por isso, na despedida nós os filhos, netos e bisnetos de Uriel e Mariana Leitão o chamamos de “mestre do amor”. Que a certeza de que ele teve uma vida plena conforte cada um dos seus amigos e, principalmente, seus familiares.

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