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Obras do Limoeiro: mal planejadas, mal executadas

Há mais de 14 meses, os moradores e empresários da Avenida Ana Pena de Faria, no Bairro Limoeiro e de suas imediações têm sofrido transtornos e prejuízos financeiros decorrentes dos problemas causados pelas intermináveis obras que a Prefeitura de Caratinga está realizando naquela via pública, iniciadas em fevereiro do ano passado. Como afirmam os moradores e empresários, com as obras mal projetadas e mal executadas, além dos danos causados a eles, a atual administração está jogando no lixo o dinheiro público. Os valores a serem pagos às empresas responsáveis pela execução das obras somam um pouco mais de R$ 1.314.000,00.

Entenda o caso
Em fevereiro de 2022, a Prefeitura de Caratinga realizou o corte das árvores do canteiro central da Avenida Ana Penna de Faria, sob a alegação de que o crescimento de suas raízes estava danificando as redes de esgoto daquela localidade.

Após a realização desse serviço, em abril do mesmo ano, no local onde houvera o canteiro central foi aberta uma valeta em toda a extensão da avenida para avaliar a proporção dos estragos causados pelas árvores retiradas e definir quais as medidas deveriam ser tomadas para solucionar os problemas gerados.

Na ocasião, como informou Sebastião Sérgio Soares Barros, engenheiro da Prefeitura de Caratinga, foram elaborados dois projetos, sendo um com a construção de galerias e o outro com a colocação de manilhas, cabendo ao prefeito Welington Moreira de Oliveira, o Dr. Welington, decidir qual das medidas seria implantada.

A decisão do prefeito demorou a acontecer e, durante esse período os moradores e empresários do Bairro Limoeiro se viram obrigados a conviver com mal cheiro, dificuldades e interrupção do tráfego de veículos, poeira, enxurradas e alagamentos por ocasião de chuvas mais intensas.

Incoerências e controvérsias
Em comunicado à imprensa local, Dr. Welington informou que a Prefeitura de Caratinga não teria condições técnicas para realizar as obras para sanar os problemas existentes na Avenida Ana Pena de Faria, sendo necessária a contratação de uma empresa especializada.

Foi realizado o processo licitatório para a definição da empresa que seria responsável pela execução do projeto elaborado pelo departamento de Engenharia da Prefeitura, do qual se saiu vencedora a empresa Silveira Construtora Ltda, de Piedade de Caratinga, que apresentou o preço de R$ 920 mil.

No mês de julho foi assinado o contrato entre a Prefeitura de Caratinga e a Silveira Construtora, que teria o prazo de 120 dias para a conclusão da obra, ou seja, o serviço deveria estar totalmente pronto em novembro.

Porém, na reunião da Câmara Municipal realizada em 1º de agosto, o vereador Emerson da Silva Matos, o Irmão Emerson, declarou ter encontrado possíveis irregularidades no processo de contratação da empresa, chegando a afirmar que as obras estavam sendo realizadas com uso de funcionários, máquinas e caminhões da Prefeitura de Caratinga.

Ele esteve no prédio que deveria ser a sede da empresa, porém, encontrou as portas fechadas, sem quem pudesse atendê-lo, além de não existir no imóvel qualquer placa de identificação. O vereador tomou conhecimento de que a empresa, apresentada como especializada para a execução das obras do Bairro Limoeiro, terceirizou o serviço com a empresa de Márcio Magalhães.

Essa situação permite que se faça um questionamento. Se o projeto foi elaborado pelos engenheiros da Prefeitura de Caratinga, se o serviço estava sendo executado por funcionários da Prefeitura, usando máquinas e veículos da Prefeitura, qual a necessidade de se contratar uma empresa que não se mostrou capacitada para realizar os serviços?

Prejuízos
Logo que a obra de implantação das redes pluviais começou a ser realizada ocorreu a chegada do período das chuvas que foram constantes e intensas a partir da metade do mês de setembro, se mantendo assim nos meses de outubro, novembro, dezembro, janeiro e nas primeiras semanas de fevereiro.

Essas chuvas, em vários momentos, provocaram fortes enxurradas e alagamentos, invadindo residências, oficinas e estabelecimentos comerciais que, além dos transtornos, sofreram prejuízos financeiros. Por várias vezes, as famílias, os empresários e seus funcionários passaram as madrugadas e manhãs retirando a lama carreada pela enxurrada e pelas inundações.

Pontos do canteiro central precisarão ser refeitos após as chuvas

Se não bastassem os prejuízos causados aos moradores e às empresas, as enxurradas e os alagamentos danificaram e, em muitas ocasiões, destruíram os serviços realizados, pelo fato dos bueiros e as caixas de contenção não conseguirem dar vazão às águas e às enxurradas.

Assim sendo, além dos prejuízos causados à obra, os danos retardavam o prosseguimento e conclusão dos serviços, prolongando os transtornos causados aos moradores e empresários da avenida e de seu redor.

Canteiro e pavimentaçãoA Prefeitura de Caratinga contratou, ainda, a empresa Workpav Pavimentação, sediada no município de Viçosa, para as obras de construção do canteiro central e a recomposição do asfalto da Avenida Ana Pena de Faria. O valor estipulado no contrato para a realização das obras é de R$ 394.040,28.

Torna-se difícil acreditar que esse valor seja suficiente para a execução das duas obras. O asfalto, que foi recapeado em 2020, sofreu sérios danos em praticamente toda a extensão da Avenida, apresentando grandes rachaduras em diversos trechos e, também, afundamentos em vários pontos da via que precisarão ser compactados e nivelados. Vale observar que o recapeamento precisará ser feito com massa asfáltica de boa qualidade, para que a Avenida Ana Pena de Faria seja realmente recuperada.

Chuvas recentes
A pedido dos moradores e empresários, a reportagem de A Semana esteve naquele local na manhã de domingo, 30 de abril, após as fortes chuvas ocorridas no sábado, 29, constatando os danos causados à obra de construção do canteiro central da avenida.

Como em outras vezes, os bueiros e as caixas de contenção se mostraram insuficientes para captar as fortes enxurradas. Com isso, vários meios- fios foram arrancados ou desalinhados, caixas de contenção foram danificadas e partes do canteiro também precisarão ser refeitos.

Dinheiro jogado fora
De acordo com um engenheiro civil consultado por A Semana, que preferiu que seu nome fosse mantido em sigilo, o mal planejamento e a má execução das obras não têm conserto, a não ser que se faça um novo projeto que possibilite, de forma definitiva, a solução dos problemas de captação e escoamento de água naquela localidade.

Se a sugestão do engenheiro não for seguida, os moradores e os empresários situados na Avenida Ana Pena de Faria e proximidades continuarão obrigados a conviver com os transtornos e a sofrer prejuízos.
Porém, se o atual governo assumir que errou ao realizar as obras e colocar em prática um novo e eficiente projeto naquele local, quase R$ 1,4 milhão de dinheiro do município, que poderia ser aplicado em melhorias para a população, será simplesmente jogado fora.




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