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Câncer de mama: apenas 20% do público alvo realizou a mastologia em 202

No Brasil, o combate ao câncer de mama, que obrigatoriamente tem como principal fator a prevenção, vive um momento muito delicado, como mostram os dados estatísticos da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Em 2020, a adesão ao exame diminuiu em 45%, principalmente pelo medo de se contaminar com a Covid-19. Por isso, a campanha Outubro Rosa deste ano se reveste de enorme importância na luta para reduzir ao máximo o número de mulheres que morrem em decorrências da doença.

A cada ano, de acordo com os dados da SBM, surgem mais de 66 mil novos casos de câncer de mama no Brasil. Entre janeiro e julho de 2020, o número de mamografias realizadas pelo SUS em mulheres entre 50 e 69 anos foi de 1,1 milhão, registrando uma redução de 45% em comparação ao mesmo período de 2019, quando foram realizadas 2,1 milhão de mamografias. Os números de 2019 já eram preocupantes, pois, eles representavam que apenas 20% do público de mulheres na faixa etária indicada estava coberto pelo exame. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que haja uma cobertura mínima de 70%.

O oncologista clínico do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, Carlos dos Anjos, destaca a importância do exame. “A mamografia é o exame mais indicado para a detecção precoce do câncer de mama, já que permite a identificação de tumores muito pequenos e, consequentemente, nos estágios iniciais da doença. A agilidade no diagnóstico é o que determina como será o tratamento, as possibilidades de cura e o tempo de sobrevida da mulher. Entender o que impede as brasileiras de fazerem a mamografia, uma vez que há uma legislação específica para garantir o acesso ao exame, é essencial para reverter essa realidade”.

O avanço da vacinação contra a Covid-19, que reduz o medo de infecção pelo vírus, deverá contribuir para que um número maior de mulheres venha a realizar a mamografia. No entanto, existem outros fatores corresponsáveis pelo baixo índice de adesão ao exame a serem combatidos.

Estudo publicado recentemente no periódico Nursing Open, analisou 22 estudos publicados entre 2006 e janeiro de 2020, e identificou 41 fatores que podem influenciar negativamente na adesão ao exame, dos quais o principal é a desigualdade socioeconômica existente no País. O levantamento mostrou que ter idade elevada, estar em um relacionamento, ter ensino superior, maior renda, residência urbana e morar no Sudeste do Brasil são aspectos que influenciam positivamente à adesão do exame de mamografia.

Um fator preocupante é que, segundo mostram as estatísticas, a incidência de câncer de mama vem aumentando em países de baixa e média renda, assim como a taxa de mortalidade, de modo que 62% das mortes por câncer de mama em todo o mundo ocorrem em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

Além da desigualdade socioeconômica, entre os aspectos que conspiram contra o aumento no número de adesão ao exame estão características demográficas do Brasil, entre os quais a má distribuição dos 4,2 mil mamógrafos disponíveis e as dificuldades em acessar os serviços de saúde existentes na população de diversas regiões do Brasil.

Também é importante salientar o mau hábito comum ao brasileiro de postergar a procura dos serviços médicos e de não realizar exames preventivos periódicos, o que acaba contribuindo para a descoberta da doença quando ela já se encontra em estágio avançado, dificultando ou impossibilitando tratamentos que levem à cura.

São comuns os casos de mulheres em que a descoberta tardia resultou na necessidade da realização da mastectomia – retirada cirúrgica de toda a mama – que pode ter consequências psicológicas negativas para a mulher, decorrentes da mutilação.

O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo, com aproximadamente 2,3 milhões de casos novos em 2020, o que representa 24,5% dos casos novos por câncer em mulheres. A incidência do câncer de mama tende a crescer progressivamente a partir dos 40 anos, assim como a mortalidade por essa neoplasia. O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil.

Diante de todos esses aspectos, mais do que nunca, torna-se fundamental uma maciça adesão à campanha Outubro Rosa, visando conscientizar às mulheres da necessidade e importância da realização da mastologia.

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